Estilo Gustaviano – o minimalismo sueco

Estilo Gustaviano – o minimalismo sueco

Estilo Gustaviano – o minimalismo sueco

8 de janeiro de 2018

ESTILO GUSTAVIANO

No fim do século XVIII, o rei Gustaf III, evidenciou a Suécia no mapa geopolítico da Europa e levou o neoclássico para os países do Norte, região da Escandinávia.

Gustavo III visitou Versalhes durante seu reinado (1771 a 1792) e adquiriu alguns objetos de luxo que fariam a diferença nos interiores suecos. As formas do estilo se inspiram no estilo francês de Luís XVI (Neoclássico), com alguns móveis, principalmente cadeirões com formas do Queen Anne (Barroco tardio).  Em seu reinado Gustavo III também visitou o recém-escavado local arqueológico de Pompéia e Herculano, no sul da Itália. No início do século 19, as relações comerciais com outros países afetaram o estilo sueco, que apesar de permanecer em sua maioria no estilo Luís XVI, soma-se em menor intensidade com os estilos da Inglaterra, Alemanha e Holanda.

 

O estilo Gustaviano é considerado o primeiro estilo minimalista do Ocidente, pois não há justaposição dramática entre suas qualidades que fica entre o elegante e o rústico, o acolhedor e o refinado. Na Suécia o estilo neoclássico francês ganhou formas mais puras, simplicidade e tonalidades suaves como variações de branco, verdes brumados, amarelos pálidos, cinza e azuis invernais. A luz invade os tons que contrastam com alguns tons noturnos e íntimos.

Cartela de cores do estilo.  Gustaviano. https://laurelberninteriors.com

 

Os ambientes são compostos de linha simples utilizando muito branco em contraste com tons ilu

 

minados, evidenciando alguns detalhes mais sofisticados com dourado.

Interior Gustaviano composto com tonalidades de brancos e cinzas em contraste com sutis detalhes dourados. https://blog.thehighboy.com/design-history-gustavian-style/

Para mascarar esses materiais e para iluminar os interiores em um país praticamente coberto de escuridão por quase metade do ano, os artesãos mesclavam móveis em tons pálidos de marfim, bege, cinza e azul usando tintas de leitosas e caiações tradicionais. O estofamento seguiu o exemplo, com estofados de algodão e linho claros, com algumas sedas brilhantes e nobres. O resultado é delicado, belo e fresco, qualidades que emprestam ao estilo Gustaviano, uma versatilidade elegante que persiste até hoje.

Os texteis são de cores iluminadas com variações de tons como: brancos, cinzas, azuis, amarelos, beges e furtivos vermelhos. As estampas se misturam entre xadrezes e listrados.

A composição simétrica está sempre presente em ambientes bem organizados e geralmente de pequenas dimensões, o que ajuda para o aquecimento no inverno que é longo na região.

Composição simétrica. http://theswedishfurniture.com

 

Nas paredes, a madeira está sempre presente para o aquecimento visual e térmico do espaço. É frequente o uso do retrato de Gustavo III em relevo nas paredes em forma de medalhão redondo ou oval, ou então o seu busto em mármore.

Busto e retrato em relevo de Gustavo III. https://deringhall.com

As diferenças de estilos das cadeiras é dominado pela uniformidade da superfície, cores e estampas simplificadas. Seus estilos franceses e ingleses, principalmente, entram em consonância nos interiores suecos.

Cadeiras gustavianas, neoclássicas e rococós, referências francesa e inglesa. http://theswedishfurniture.com

Vários ambientes da casa possui a presença marcante das estufas de cerâmica lisas ou florais que auxiliam a aquecer a casa. A quantidade de neve causa problemas nas lareiras e as estufas resolvem melhor o rigoroso inverno.

A estufa como protagonista. http://4.bp.blogspot.com

A sala de jantar gustaviana expõe os objetos de mesa em armários abertos. As peças são em cerâmica e porcelana branca e azul de influência chinesa, uma relação comercial e cultural que começou em 1654 entre os dois países.

Interior da sala de porcelanas do Drottningholm Palace http://theswedishfurniture.com jpg

Devidos as baixas temperaturas e a falta de uma mão de obra refinada como a francesa na confecção de objetos, móveis ou detalhes entalhadas, o resultado sueco é um estilo mais rústico e o aspecto foi adaptado aos materiais e ao gosto local. A coleção de móveis são: bancos, cadeiras e armários que apresentam as mesmas proporções e motivos clássicos que os seus homólogos franceses – pernas e guirlandas simétricas, guirlandas e costas de lira -, mas  na Suécia foram executadas em madeiras nativas mais humildes como faia, vidoeiro e pinheiro.

Os espelhos possuíam uma função importante na iluminação da casa sueca, com suporte para velas, torna-se um artifício para duplicar o ambiente. As velas são culturais, pois são usadas nas janelas das casas para servir de guia nas noites que duram 3 meses contínuos.

Espelhos com ornamentos clássicos e com suporte para velas. http://theswedishfurniture.com

Nas paredes os lambris são lisos e compostos com meia parede de painéis pintados, ou totalmente em madeira pintada. A Pintura ilusória ou “Tromp L´oeil”  foi usada como uma solução para as paredes, tetos e portas ganharem mais sofisticação, inspirada pelo tromp L´oeil francês. É comum piso de madeira, e geralmente o acabamento é um polido encerado ou lavada com uma camada de tinta de cor clara.

Paredes com painéis pintados em Tromp L´oeil. http://www.picrevise.net

Os tecidos adamascados e as sedas predominavam nos salões dos palácios suecos dos séculos 18 e 19, já os tecidos em algodão, linho e lã eram mais usados em ambientes simples e eram de fundo neutro, com padrões listrados, xadrezes, lisos em bege, azul, branco e vermelho. Esses tecidos mais baratos predominavam nos ambientes menos rebuscados.

Outro elemento cultural que foi implantado no perído e são ícones dos interiores Gustavianos são os populares relógios Mora que tiveram uma produção entre o final do século 18 e todo o século 19.

Evolução dos relógios Mora no século 19. http://theswedishfurniture.com

Os primeiros espaços Gustavianos foram os palácios, ainda assim, vários ambientes resultam em simplicidade. O estilo se popularizou e tornou-se uma referência da cultura sueca e foram exatamente esses espaços menos nobres que marcavam a principal herança do estilo Gustaviano, a simplicidade e a clareza na composição. A outra via que tornou o estilo Gustaviano conhecido foram as pinturas do pintor Carl Larsson que registrou durante sua vida, o cotidiano de sua família em uma casa estilo Gustaviano.

Interior Gustaviano de Carl Larsson. Final século 19. https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/47/Carl_Larsson-Lath%C3%B6rnet.jpg