Biomimetismo + Design = Biodesign

Biomimetismo + Design = Biodesign

Biomimetismo + Design = Biodesign

3 de julho de 2017

Os seres humanos sempre imitaram a natureza. Portanto, biomimética é provavelmente tão antiga quanto a humanidade.

Como uma filosofia de design, biomimética baseia-se na natureza para:
– inspirar
– experimentar
– re-desenhar

– Fornecer estratégias para designers e profissionais que buscam examinar como as plantas, animais e ecossistemas resolvem seus problemas práticos. Com isso, busca-se formas de imitar/traduzir essas soluções ou usá-las para estimular a inovação.

Plantas e animais têm evoluído em relação uns aos outros e ao mundo físico ao longo de bilhões de anos. Essa evolução tem rendido estratégias bem-sucedidas de adaptação e de sobrevivência que pode, por sua vez, influenciar produtos, práticas e estratégicas.

A sustentabilidade da natureza, a perspectiva de sistemas, a eficiência dos recursos, a não toxicidade, etc., formam o núcleo da biomimética e oferecem um modelo no qual baseia-se inovações sustentáveis.

O Biomimicry Institute foi um dos pioneiros a desenvolver conceitos para uma metodologia entre biologia e design. Uma concha em espiral foi a estrutura escolhida para demonstrar didaticamente a proposta.

Os seres humanos são inteligentes, mas a construção de um cenário artificial e o desenvolvimento de forma desenfreada desde a revolução industrial, acabou por criar problemas massivos de sustentabilidade para as gerações futuras. Para o biomimetismo esses desafios globais estão ao nosso redor.

De acordo como Biomimicry Institute, “A biomimética é uma abordagem da inovação que busca soluções sustentáveis ​​para os desafios humanos ao imitar padrões e estratégias testados pelo tempo, e no tempo na natureza. O objetivo é criar produtos, processos e políticas – novos modos de vida – que são possíveis de serem adaptados à vida na Terra a longo prazo” A ideia central do biomimetismo é que a natureza sempre resolveu muitos dos problemas com os quais estamos lidando. Animais, plantas e micróbios são os engenheiros consumados. Depois de bilhões de anos de pesquisa e desenvolvimento, as falhas são fósseis e o que nos rodeia é o segredo da sobrevivência. (https://biomimicry.org/what-is-biomimicry/).

A biologia tem o desafio de encontrar respostas, muitas vezes se utilizando da engenharia reversa, para que o design possa ter meios para tomar de empréstimo os estudos desenvolvidos. Para o design, o desafio é aproveitar ao máximo o exercício de imitar a natureza e corresponder às expectativas e necessidades do indivíduo contemporâneo.

Para Jenine Benyus do Biomimicry Institute, “quando olhamos para o que é verdadeiramente sustentável, o único modelo real que funcionou por longos períodos de tempo foi o mundo natural.” E Michael Pawlyn complementa “você poderia considerar a natureza como um catálogo de produtos, e todos eles se beneficiaram de um período de pesquisa e desenvolvimento de 3,8 bilhões de anos. E dado esse nível de investimento, faz sentido usá-lo.”

Essa colaboração entre Biologia/Biomimética e Design, nos permite usar a definição de Biodesign, que diz respeito a integração de um projeto com sistemas biológicos. O objetivo é alcançar um melhor desempenho ecológico. A biomimética é a imitação da natureza ou o uso de desenhos da biologia, e esses exercícios são as primeiras experiências que encontramos no segmento do BioDesign.

A grande questão hoje, é tratar de uma complexidade maior, a de estudar e incorporar nos projetos, organismos vivos.

Um exemplo interessante é a obra Co-Existence’ de Julia Lohmann (2009), composta por várias amostras de bactérias em contínua mutação, e que no conjunto compõe a imagem de uma mulher em uma larga vitrina. A questão da mutabilidade das bactérias altera as cores, logo, a obra estará em contínua transformação.

Co-Existence’ de Julia Lohmann (2009). http://labiotech.eu/lohmann-bioart-julia-algae-petri-dishes/

Vários segmentos do design vêm experimentando a metodologia híbrida do universo da biologia buscando resposta que nos auxilie na criação de bens de consumo em um ritmo mais lento, conectado com o ritmo da natureza. Todo o processo deverá atentar para os princípios da vida que deverão ser preservados. São eles:

– observar a localidade com responsabilidade
– assistir e aprender com os processos cíclicos
– vida é resiliência
– a vida cria condições propícias para a vida
– otimizar ao invés de maximizar
– é interconectada e interdependente
– usa a fabricação de forma benigna

Apesar de estarmos conectados em um universo global e sob essa influência, a produção do design vem buscando cada vez mais meios sustentável pensando em produções locais, o que passou a ser chamado, GLOCAL – Global + Local.

Os micro-organismos tem sido de grande interesse para alguns artistas e designers que vem descobrindo a capacidade desses organismos vivos de produzir energia, como a luminescência. Eles são hiper-resistentes e se mostram cada vez mais como um grupo importante que merece estudos mais aprofundados, dadas as suas qualidades que nos permite transpor em um projeto de design.

Latro Lamp de Mike Thompson. Bio-light para a Philips.http://quaderns.coac.net/wp-content/uploads/2014/03/Biomimicry-02.jpg

A existência desses micro-organismos foi invisível ao longo da história da humanidade e ganharam evidência frente ao contexto ambiental, tecnológico, sociocultural, econômico, etc., atuais. O BioDesign desponta como uma resposta positiva, entre as várias urgências pela qual o planeta vem enfrentando, com o implemento de tecnologias que possibilitem gerar energias limpas. Imitar a natureza pode ser um começo para entrar em consonância com ela, e assim, voltarmos a nos integrar à natureza que pertencemos.